E prometo que não toco mais nisto

Portanto, estive a falar do livre arbítrio e do determinismo: I, II, III, IV e V. As caixas de comentários estão abertas.

7 Comentários

  1. Junho 29, 2009 às 4:45 pm

    [...] fosse ela lésbica e não estivesse ela já comprometida, juro que pedia (o cérebro d’) a Priscila em casamento aqui e agora. Pena é ela ter um nome tão horrível [...]

  2. fernando sérgio gomes lopes disse,

    Julho 11, 2009 às 2:08 am

    Denuncio a corrupçao no Tribunal de Cantanhede, abaixo os corruptos!
    Eu sou assistente no caso Freeport e resolvi entregar na PGR uma participaçao criminal no dia 29/06/2009 para ser investigado e juntei varias cartas que me enviaram.
    Veja as cartas que me enviaram a denunciar um esquema tenebroso na Justiça portuguesa/
    http://injusticas-da-justicas.over-blog.fr

  3. Ludwig disse,

    Agosto 29, 2009 às 8:09 pm

    PR,

    Já caí nisto um pouco tarde, mas este livro talvez te interesse, se ainda quiseres saber do assunto. Principalmente a proposta do Dennett (que é também a que me agrada mais).

    Um problema fundamental com a definição “popular” de lívre arbítrio é que nem é compatível com o determinismo (não é livre, é determinado por causas anteriores) nem com o indeterminismo (se é por acaso não é arbítrio nenhum…). Isto parece sintoma de algum problema grave com o conceito :)

    Quanto à possibilidade de prever actos futuros, penso que não é tão fácil de a rejeitar como tu fizeste. Isto porque não é preciso saber todas as variáveis — apenas as relevantes. E mesmo entre estas algumas são mais importantes que outras. É por isso que não ficamos muito surpreendidos que uma criança com três cópias do cromossoma 21 tenha problemas de aprendizagem ou alguém que seja maltratado e abusado a vida toda acabe por não se tornar numa boa pessoa… O que demonstra, já agora, que a ideia do Joaquim que a nosso livre arbítrio vive num plano diferente do resto é uma bela treta :)

  4. PR disse,

    Agosto 30, 2009 às 1:43 am

    Obrigado pela dica, Ludwig. Mas o meu maior problema não está tanto em encontrar bibliografia mas sim em ter tempo para a ler :)

    A questão que apontas em relação à definição “popular” de livre arbítrio parece-me ser o maior problema nestas discussões. Há uma grande confusão entre liberdade (num sentido quase “político” do termo), consciência e livre arbítrio. No fundo, é preciso destilar conceitos.

    Suspeito que isto tem a ver com a tendência natural para se dissociar o pensamento da actividade neural (como se os neurónios fossem um agente estranho ao nosso pensamento). É fácil chegar à ideia de que uma causa anterior ao pensamento é um entrave à livre escolha – quando, na verdade, é condição necessária para que esta possa ter lugar.

    Concordo contigo quando dizes que é possível prever o futuro (seria de estranhar que eu defendesse o contrário). Mas nota que esse post é apenas uma tentativa de mostrar como a aplicação do determinismo à mente humana não conduz a nenhuma espécie de paradoxo.

  5. Ludwig disse,

    Agosto 30, 2009 às 9:19 am

    «Suspeito que isto tem a ver com a tendência natural para se dissociar o pensamento da actividade neural»

    Eu acho que é ao contrário. Uma ideia quase universal e muito antiga é que o universo tem de ser justo, e se fazemos mal agora pagamo-lo mais tarde, nem que seja noutra vida. Isto está na base de muitas religiões. E exige que alguma coisa que não este corpo “carregue” a responsabilidade pelas nossas decisões.

    Daí que não ache que seja a dificuldade em identificar a actividade dos neurónios com a consciência e vontade que nos leve a definir “livre arbítrio” de forma inconsistente. Pelo contrário, é a definição antiga desse termo, como algo que tem de ir na alminha, que além de inconsistente dificulta a compreensão do que se passa.

    Penso que se não fosse isto seria tão fácil aceitar que pensar é uma actividade do cérebro como é fácil aceitar que caminhar é uma actividade do corpo (se bem que não tão fácil de perceber como é que o cérebro consegue fazer esse truque…)

  6. PR disse,

    Agosto 30, 2009 às 11:44 am

    Mas repara que essa “alminha” é sempre alguma coisa muito etérea, que nunca se percebe bem o que é. Nunca ninguém define a alma com rigor e propriedade. É só uma coisa muito fátua que está lá, escapando aos constrangimentos materiais.

    E nota que não é só nos crentes que isto aparece. Alguns autores ateus que rejeitam o materialismo também têm sempre um buraquinho seguro onde guardar o livre arbítrio. Como no caso anterior, nunca dão uma definição precisa – os heideggerianos falam no “Ser para o Ser”, que é algo desse género, remetendo sempre para alguma coisa que invoque a palavra máquina “holismo”.

    Por isso, parece-me que a “alma” é muito mais um pretexto para ultrapassar uma limitação conceptual do que uma tentativa para salvaguardar alguns dogmas religiosos. No fundo, cumpre a função: uma coisa vaga que dá a ideia de escapar aos ditames do determinismo.

  7. PR disse,

    Agosto 30, 2009 às 11:45 am

    palavra “mágica”, e não palavra “máquina”; obviamente…


Afixar um Comentário