Estou a ver Alberto João Jardim na televisão a culpar o Liberalismo e o capitalismo selvagem do empobrecimento dos portugueses nos últimos anos. Não devemos estar a falar da mesma coisa. Eu vivo no Portugal em que a despesa pública está no valor mais alto de sempre. O Alberto João Jardim vive na região autónoma que todos os anos chupa vários milhões aos cubanos do continente. Percebe-se que não goste do Liberalismo. Acabava-se a mama num instante.
Homenagem sentida
Novembro 23, 2008 às 7:12 pm (Filosofia & Ciência, Humor)
Gaivotas dão gaivotas. O cérebro volta à actividade dentro de momentos.
Recomendado
Novembro 23, 2008 às 7:01 pm (Blogosfera, Ensino, Portugal, Recomendado)
Eduquês: o inimigo errado?, por Desidério Murcho, o melhor careca da blogosfera.
Quando o professor foi deformado nas universidades, decorando tolices e perdendo o sentido crítico normal que qualquer ser humano tem, quando o professor não adquiriu uma sensibilidade didáctica e social que lhe permita por si mesmo conceber estratégias de ensino que cativem os alunos mais carenciados, está nas mãos de toda a tolice emanada do Ministério da Educação — que, por sua vez, é constituído por pessoas que padecem exactamente da mesma falta de formação intelectual integral.
Quem diria
Novembro 21, 2008 às 7:28 pm (Desporto, Portugal)
Está muita gente chateada com as recentes prestações da poderosa selecção portuguesa. Anteontem levou com seis golos no saco. Parece que as exibições anteriores também não foram famosas. E quanto ao Mundial 2010, diz-se que já esteve mais perto.
Não se compreende a indignação. Estes resultados estão em linha com o conseguido na história da equipa lusitana. A presença em fases finais de Europeus e Mundiais é uma raridade. Quantas foram nos últimos cinquenta anos? E séries longas de bons resultados também não constam do registo nacional.
Estes números fazem parte da história da selecção portuguesa. Não fogem à regra nem são piores do que aquilo a que os adeptos estavam habituados. Divergem é dos números atingidos pelo anterior treinador, o tal que não percebia nada de táctica e tinha filhos e enteados. Bom, agora temos um professor de primeira água sem filhos e enteados. Aproveitem bem.
Credibilidade
Novembro 12, 2008 às 12:19 pm (Corporativismo, Ensino, Política Nacional, Portugal)
Ontem, os professores da Madeira foram corridos todos a “Bom” por el Comandante Alberto João Jardim. Ontem, alguns professores de Fafe usaram os próprios alunos para fazerem jogo político contra a ministra da Educação.
E hoje, ninguém se indigna? Dos 100 mil professores que estiveram na manifestação, não há um sequer que venha dizer que é uma vergonha uma boa nota por decreto? Não há nenhum que ache um nojo ver professores a instrumentalizar os próprios educandos para atacar a ministra? Unzinho, sequer?
Professores
Novembro 11, 2008 às 3:09 pm (Blogosfera, Corporativismo, Ensino, Política Nacional, Portugal, Recomendado)
O João Miranda levanta aqui questões importantes. É óbvio que há professores competentíssimos que estão a ser instrumentalizados pelos sindicatos. Mas esta é uma boa oportunidade para essa subfacção dar a cara. Há dois passos importantes. O primeiro é a descolagem dos sindicatos; o segundo é a apresentação de alternativas no campo da avaliação.
Note-se que a apresentação de alternativas fragilizaria a ministra da Educação junto da opinião pública, diminuindo o seu capital político. Com uma alternativa, a opção seria entre a avaliação do Ministério e a avaliação proposta pelos professores. Como estão as coisas, a opção é entre a burocracia ministerial e a ausência de avaliação. Compreende-se que a opinião pública tenha alguma simpatia pela ministra da Educação.
Avaliação
Novembro 11, 2008 às 1:27 am (Ensino, Liberdade de Escolha, Portugal)
Não é fácil avaliar correctamente o desempenho de um trabalhador. Nem todas as profissões são como a de um pedreiro em que a produtividade se mede pelo número de metros quadrados preenchidos por hora. Como é que se mede o contributo de um gestor ou de um técnico de contabilidade para o bom funcionamento da empresa em que trabalham? É difícil encontrar uma fórmula matemática que capte, em termos objectivos, a quota parte do sucesso que cabe a cada um.
Isto não invalida que as performances dos gestores e dos técnicos de contabilidade sejam avaliadas. Apenas invalida uma avaliação estática, com uma base puramente aritmética. A avaliação tem de ser mais subtil, feita com critérios muitas vezes subjectivos. Estes critérios são menos estáveis do que uma fórmula e podem dar azo a acusações de injustiça. Mas são muito mais úteis do que critérios extraordinariamente complexos que não revelam nada acerca da qualidade de cada trabalhador.
Isto coloca um problema a serviços públicos como a educação. Como as escolas são pagas pelo contribuinte e oferecidas ao cidadão, é necessário premiar a qualidade e penalizar a incompetência. Tem de haver avaliação das escolas e dos professores. Como? É aí que a porca torce o rabo. As avaliações absolutamente objectivas, com base em fórmulas matemáticas, são inúteis. As avaliações subjectivas, com base na opinião do parceiro, representam uma potencial injustiça e uma porta aberta ao compadrio e ao nepotismo.
A opção deste Governo foi a primeira via. A avaliação dos professores leva em conta a opinião do colega mais velho, os resultados dos alunos, o número de acções de formação, a quantidade de chumbos, a cor do cabelo e as verrugas dos pés. Esta avaliação é perfeitamente objectiva. As regras são transparentes e gizadas com minúcia. Mas são irrelevantes porque não avaliam de facto a qualidade de cada um.
Problema impossível? Nem tanto. Há uma solução que permite compatibilizar uma avaliação subjectiva mas justa, flexível mas rigorosa e ajustada sem ser burocrática. A ideia é simples e está em vigor em praticamente todos os ramos da economia. O gestor da organização avalia os seus trabalhadores e os consumidores avaliam a organização. Como? Num mercado de livre escolha, através de uma das ideias mais bem sucedidas de Milton Friedman: o cheque-ensino.
Da reforma
Novembro 10, 2008 às 1:11 am (Corporativismo, Ensino, Portugal)
O Pedro Morgado diz, a propósito da manifestação dos professores em Lisboa, que não é crível que a reforma da educação se possa fazer contra a vontade da quase totalidade dos professores. Mas eu penso que é exactamente o contrário. É irrealista supor que a introdução de uma avaliação que permita distinguir os competentes dos incompetentes não levante resistências (especialmente por parte dos incompetentes). É utópico pensar que uma reforma da educação vai ser feita sem incomodar os interesses instalados.
Como é óbvio, o contrário nem sempre é verdade. Apesar de todas as boas reformas incomodarem necessariamente muitos professores, nem todas as reformas que incomodem muitos professores são necessariamente boas reformas. E parece-me que este é um bom exemplo disso. A realidade está a mostrar que não é com estas reformas que o ensino vai melhorar. Infelizmente, também está visto que não é com estes professores que isso vai acontecer.
Insulto
Novembro 6, 2008 às 9:00 pm (Blogosfera, Humor, Liberdade de Expressão, Recomendado)
O cartoonista do ComUM fez uma piada com a claque do Braga. A claque reagiu da forma mais inteligente que conseguiu: ameaçando. A maior parte dos claquistas é como os criacionistas: não interessa o quão exagerada seja a caricatura que deles se faz, conseguem sempre superar as expectativas. Isto lembra-me um dos melhores artigos do Desidério Murcho…
Não há liberdade de expressão sem liberdade para insultar. Na verdade, a liberdade para insultar é fundamental numa sociedade que se quer honesta porque o insulto é precisamente uma das mais poderosas armas conhecidas contra o auto-engano. Sem auto-engano não há insulto, e o insulto é precisamente o balde de água fria que ameaça liquidar a fantasia em que o insultado insiste em viver. Se o insultado não desconfiasse de que há uma ponta de verdade no insulto, não se teria sentido insultado. Acusar um homem de ser uma pedra da calçada disfarçada não insulta. Acusar um homem de ser maricas insulta — mas só se ele desconfiar que, no fundo, até é um bocado maricas.
Nada há talvez de mais eficiente para desmontar uma ilusão colectiva do que uma forte gargalhada geral. Uma cerimónia cheia de pompa — como um ritual religioso — só pode funcionar enquanto as pessoas não desatarem a rir perante tanto auto-engano: símios cheios de maneirismos a fingir que estão a fazer coisas importantes, quando toda a gente sabe que o realmente importante não é o que se faz nas cerimónias pomposas e nos rituais, mas na vida real — quando amamos, oferecemos, recebemos, trabalhamos, choramos e rimos, sem pompas nem rituais. Daí que qualquer humor baseado em cerimónias pomposas seja sempre insultuoso para os cerimonialistas: a gargalhada põe a nu o auto-engano.