Parece que se estão a acabar as últimas migalhas de pão.
Capitalismo selvagem
Outubro 22, 2008 às 7:45 pm (Humor, Política Nacional, Portugal, Trabalho & Emprego)
Soube agora que o PCP pondera despedir colaboradores devido a problemas financeiros. Penso que é nesta altura que alguém devia propor uma lei qualquer que garantisse o emprego permanente destes pobres trabalhadores. É que caso contrário isto fica uma selva, com o neoliberalismo selvagem a entrar-nos porta adentro. Peço ao PCP algum respeito pelos direitos sociais dos seus trabalhadores.
ComUM 2008/9
Outubro 20, 2008 às 7:39 pm (Media e Jornalismo, Pessoais)
O ComUM voltou ao activo. O jornal é mantido única e exlusivamente por alunos do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. Gente pequena mas com vontade de aprender e praticar. No historial do jornal contam-se alguns notáveis: Hélder Beja & Hugo Torres, Samuel Silva e por aí fora. Este ano não há versão impressa mas o on line está aí a bombar.
Olhando à distância, penso que o ComUM acabou por tornar-se uma referência e subir a fasquia. É engraçado pensar como um jornal mantido sem apoio de nenhuma instituição (quantos jornais em Braga podem dizer o mesmo?) conseguiu, por exemplo, obrigar a Escola de Direito e a Reitoria pôr na linha um professor, ou fazer um Departamento voltar atrás com a decisão de suspender outro docente. Havia secções bem pensadas e genuinamente interessantes. Quanto à opinião, era francamente boa.
É curioso agora reparar que, terminada a versão impressa, a concorrência seguiu os passos da publicação. Os outros jornais da Universidade do Minho (Académico e UM Dicas) apresentam este ano algumas (ligeiras) melhorias em relação ao ano passado, a maior parte delas claramente inspirada no ComUM. O que só confirma as minhas suspeitas: as críticas que o ComUM recebeu no ano passado eram mais lamentos ressabiados do que genuíno escrutínio jornalístico.
Enfim, terminada a minha fase, espero que o miúdo continue a crescer. Pelos vistos, não vão faltar padrinhos…
Aquela coisa do “modelo sueco”…
Outubro 15, 2008 às 2:21 pm (Ensino, Liberdade de Escolha, Recomendado)
The devil himself
Outubro 15, 2008 às 1:18 pm (Pessoais)
Ophelia, walk you here. Gracious, so please you,
We will bestow ourselves. Read on this book,
That show of such an exercise may colour
Your loneliness. We are oft to blame in this—
’tis too much proved—that with devotion’s visage
And pious action we do sugar o’er
The Devil himself.
(Hamlet, Act III, Scene I)
A crise
Outubro 12, 2008 às 6:38 pm (Economia, Patranhas, Portugal, Recomendado)
João Miranda, no Diário de Notícias.
De acordo com o estudo do Fórum Económico Mundial sobre a Competitividade, Portugal tem um mercado laboral pouco flexível, uma administração pública burocrática e ineficiente, um regime fiscal demasiado complexo e maus indicadores macroeconómicos. De acordo com o estudo da Heritage Foundation, os principais obstáculos à liberdade económica em Portugal são o peso do Estado na economia e as leis laborais. Estas debilidades da economia portuguesa não foram criadas pela crise internacional. Resultam de opções políticas feitas em Portugal pelos portugueses. Foram os portugueses que escolheram políticos com uma visão dirigista da economia. Os países da Europa de Leste optaram por impostos baixos e por uma política de laissez-faire. A Eslováquia, por exemplo, adoptou uma flat rate de 19%. A Lituânia tem um imposto sobre os lucros das empresas de 15% e a Letónia não cobra impostos sobre os lucros não distribuídos. Portugal optou por impostos mais elevados (25% sobre os lucros das empresas) e por programas politizados dirigidos por burocratas, como o sistema de projectos de interesse nacional e o choque tecnológico. Os portugueses só têm de se queixar das suas próprias opções.
Pensamento do dia
Outubro 12, 2008 às 6:34 pm (Desporto, Portugal)
O Carlos Queiróz é que é a valer. E pensar que andámos três ou quatro anos com um brasileiro que não sabia o que fazer com os excelentes jogadores que por aqui andam. Agora sim, a coisa é a sério. Queiróz está na linha de todos os outros grandes treinadores portugueses que também conseguiram levar a selecção longe como o caraças.
Memória curta
Outubro 2, 2008 às 7:17 pm (Criminalidade, Política Nacional, Portugal)
Paulo Portas vai apresentar um plano de combate à criminalidade para ultrapassar a incompetência do Governo. Agradeço o voluntarismo mas penso que alguma memória não fazia mal. É que Portas esteve no Governo entre 2002 e 2005. E nessa altura a criminalidade violenta até estava num valor superior ao actual. Com medidas tão boas podia ter aproveitado para as propor quando passou pelo poder.
Gente de bem
Outubro 2, 2008 às 6:26 pm (Política Nacional, Portugal)
O caso das casas atribuídas discricionariamente pela Câmara de Lisboa é interessante. Parece que implica muita gente. Para já, contam-se Carmona Rodrigues, Santana Lopes, João Soares e Jorge Sampaio. Um ex-primeiro-ministro e líder do PSD, um antigo candidato à liderança do PS e um antigo Presidente da República.
E isto se não contarmos com os beneficiários do esquema: artistas, políticos e até alguns jornalistas que empenham grande parte do seu tempo a verberar contra o regime e a pregar a virtuosa moral impoluta de que se dizem tributários. Ainda hoje Baptista-Bastos dá uma explicação no DN, dizendo que sim, que foi beneficiado, mas que é mal-educado andar a espalhar isso. Até porque já esteve desempregado, situação que certamente partilha com muito poucos portugueses.
Isto permite concluir três coisas. Primeiro, que até os mais altos representantes da classe política estão envolvidos em esquemas de corrupção. Segundo, que quem os devia vigiar, ou seja, quem tem voz no espaço público – jornalistas, artistas, etc. – também está comprometido com o sistema.
Por fim, deve concluir-se ainda que o combate à corrupção não vai ser feito por mais leis, brigadas e comissões contra a corrupção porque quem promove essas ideias já está também comprometido pela própria corrupção. O combate à corrupção vai fazer-se atacando a origem do problema: garantindo que quem pode tocar no que não possui o faça cada vez menos vezes.