Não entra mosca

Pedro Arroja, sobre a cultura católica e os portugueses.

Uma sociedade como a americana com uma profunda cultura de especulação (na finança, na ciência, nas ideias) é uma sociedade onde a informação é abundante e está facilmente disponível. Pelo contrário, uma sociedade, como a portuguesa, profundamente conservadora e avessa à especulação, quer no domínio das coisas materiais quer no domínio das coisas do espírito, não precisa de informação para nada e, portanto, não a produz nem a procura. Foi este o sentido deste post.

Acresce que dada a sua cultura católica, a sociedade portuguesa é uma sociedade de pessoas muito faladoras, que emitem opinião sobre tudo e sobre nada. Como argumentei repetidamente noutras ocasiões, a cultura católica privilegia as palavras em detrimento das acções.

Coloquemos agora as duas características em conjunto: pessoas mal informadas e que estão sempre a falar e a emitir opinião sobre tudo e sobre nada. Quando abrem a boca, então, o resultado mais provável é “ou entra mosca…”. É este o sentimento predominante que tenho tido ao ler e ouvir as apreciações nos meios de comunicação convencionais – jornais, rádio e televisão – à crise financeira actual e, em particular, à crise americana. A melhor literatura a este respeito, curiosamente, tem ocorrido na internet graças, em parte, aos esforços do João Miranda, que é um excelente especulador de ideias.

Afixar um Comentário