O blogue já andava de férias mas agora é a minha vez de me juntar a ele. A partir de amanhã, e durante sete dias, vou estar perto do mar e longe da internet. O calor em Braga é insuportável e estou a precisar de arejar antes da ida para Lisboa. Vou, claro, bem acompanhado. E quando voltar digo se é bom.
Simples, simples, simples
Julho 13, 2008 às 12:29 am (Desporto, Portugal, Recomendado)
Já vem tarde, mas, infelizmente, só descobri o texto hoje. José António Saraiva, sobre o Portugal 1 – 3 Alemanha.
Qual não foi o meu espanto quando, ao chegar a casa, vi uma mesa-redonda de comentadores ‘a sério’ (não ‘de sofá’), todos a darem ‘científicas’ opiniões sobre o jogo, a falarem das razões da derrota, de táctica e de estratégia, de «entre-linhas», de «passes de ruptura», numa geringonça de palavras que procurava explicar o resultado.
E eu voltei a interrogar-me, como se tivesse visto outro jogo: ‘Mas não dependeu tudo daqueles dois livres quase iguais? Não foi aí que tudo ficou decidido? E que tem isso a ver com «entre-linhas» e coisas que tais?’.
Apercebi-me, então, de um facto recorrente nos comentários futebolísticos: os comentadores não comentam propriamente o jogo – antes tentam explicar o resultado. Isto é: comentam o jogo a partir do resultado. Se uma equipa perdeu, vão à procura daquilo que ela fez mal; se ganhou, lá vão tentar descobrir-lhe as virtudes.
(…)
Como no futebol se marcam hoje muito poucos golos, os factores aleatórios tornam-se frequentemente decisivos. Se numa das balizas uma bola passar uns centímetros ao lado de um poste, e na outra baliza um remate semelhante bater no poste e entrar, isso pode inverter o resultado de um jogo.
E não tem nada que ver com táctica, ou estratégia, ou entre-linhas, ou passes de ruptura. Tem a ver, simplesmente, com o imponderável.
Essa coisa complicada do estigma
Julho 13, 2008 às 12:12 am (Criminalidade, Humor, Politicamente Correcto, Portugal)
No Diário de Notícias de hoje (versão impressa, sem link), o deputado do PCP António Filipe comenta o tiroteio de Loures. Como de costume, está mais preocupado com quem dá os tiros do que com quem leva com eles. É qualquer coisa neste tom: «A acção policial deve ser feita de forma a não estigmatizar as pessoas do bairro, que têm problemas graves».
Que as pessoas do bairro têm problemas graves, como não conseguirem viver numa sociedade civilizada, parece-me óbvio. Quanto ao não estigmatizar, já me parece mais difícil; primeiro, porque tratar de criminosos, pelo menos de forma mais substancial do que através de meras palavras de circunstância, implica sempre alguma forma de estigmatização; segundo, porque este pessoal costuma sentir-se estigmatizado com muito pouco. Uma sensibilidade forjada no calor da estigmatização, provavelmente…
Em todo o caso, penso que pelo menos neste particular o próprio António Filipe pode dar um contributo pessoal. Quando a lei começar a ser cumprida e esta malta passar a ver a cadeia do lado de lá das barras, é sempre possível fornecer um local mais recatado, aconchegante e acolhedor para os receber. Um local onde não haja exclusão, segregação ou estigmatização.
Bom, eu sugiro a casa do António Filipe.
Ensandeceu
Julho 2, 2008 às 12:14 am (Economia, Patranhas, Política Nacional, Portugal)
Louçã acusa ministro da Economia de “embuste” ao anunciar descida de preços. No Público.
Louçã distribuiu uma folha com os preços comparados, entre 30 de Junho e o dia de hoje, após a baixa no IVA, listando uma série de produtos de higiene e alimentares. No caso do9 hipermercado Continente, que o ministro visitou, Francisco Louçã anotou que houve um dentífrico que aumentou de preço.