Pausa

O blogue já andava de férias mas agora é a minha vez de me juntar a ele. A partir de amanhã, e durante sete dias, vou estar perto do mar e longe da internet. O calor em Braga é insuportável e estou a precisar de arejar antes da ida para Lisboa. Vou, claro, bem acompanhado. E quando voltar digo se é bom.

Simples, simples, simples

Já vem tarde, mas, infelizmente, só descobri o texto hoje. José António Saraiva, sobre o Portugal 1 – 3 Alemanha.

Qual não foi o meu espanto quando, ao chegar a casa, vi uma mesa-redonda de comentadores ‘a sério’ (não ‘de sofá’), todos a darem ‘científicas’ opiniões sobre o jogo, a falarem das razões da derrota, de táctica e de estratégia, de «entre-linhas», de «passes de ruptura», numa geringonça de palavras que procurava explicar o resultado.

E eu voltei a interrogar-me, como se tivesse visto outro jogo: ‘Mas não dependeu tudo daqueles dois livres quase iguais? Não foi aí que tudo ficou decidido? E que tem isso a ver com «entre-linhas» e coisas que tais?’.

Apercebi-me, então, de um facto recorrente nos comentários futebolísticos: os comentadores não comentam propriamente o jogo – antes tentam explicar o resultado. Isto é: comentam o jogo a partir do resultado. Se uma equipa perdeu, vão à procura daquilo que ela fez mal; se ganhou, lá vão tentar descobrir-lhe as virtudes.

(…)

Como no futebol se marcam hoje muito poucos golos, os factores aleatórios tornam-se frequentemente decisivos. Se numa das balizas uma bola passar uns centímetros ao lado de um poste, e na outra baliza um remate semelhante bater no poste e entrar, isso pode inverter o resultado de um jogo.

E não tem nada que ver com táctica, ou estratégia, ou entre-linhas, ou passes de ruptura. Tem a ver, simplesmente, com o imponderável.

Essa coisa complicada do estigma

No Diário de Notícias de hoje (versão impressa, sem link), o deputado do PCP António Filipe comenta o tiroteio de Loures. Como de costume, está mais preocupado com quem dá os tiros do que com quem leva com eles. É qualquer coisa neste tom: «A acção policial deve ser feita de forma a não estigmatizar as pessoas do bairro, que têm problemas graves».

Que as pessoas do bairro têm problemas graves, como não conseguirem viver numa sociedade civilizada, parece-me óbvio. Quanto ao não estigmatizar, já me parece mais difícil; primeiro, porque tratar de criminosos, pelo menos de forma mais substancial do que através de meras palavras de circunstância, implica sempre alguma forma de estigmatização; segundo, porque este pessoal costuma sentir-se estigmatizado com muito pouco. Uma sensibilidade forjada no calor da estigmatização, provavelmente…

Em todo o caso, penso que pelo menos neste particular o próprio António Filipe pode dar um contributo pessoal. Quando a lei começar a ser cumprida e esta malta passar a ver a cadeia do lado de lá das barras, é sempre possível fornecer um local mais recatado, aconchegante e acolhedor para os receber. Um local onde não haja exclusão, segregação ou estigmatização.

Bom, eu sugiro a casa do António Filipe.

A crise

O debate acerca da crise tem um problema de base. É que é um debate feito por políticos e seguido por eleitores. Esta estrutura tende a privilegiar determinadas explicações em detrimento de outras: os políticos preferem as explicações que maximizam a probabilidade de serem eleitos e as que minimizam as probabilidades de serem ostracizados pela opinião pública.

O resultado é que a crise passa a ser vista como um problema político. Isto é um pau de dois bicos. O bico da frente serve para alfinetar o Governo: como o problema é político, o culpado é político; o bico de trás serve para vender o próprio peixe, porque para um problema político há sempre uma solução política e, com ela, um político ansioso por ser eleito.

Claro que depois há diferenças de pormenor em relação aos variados peixes. Compreende-se, porque na política, como no mundo dos negócios, também é preciso atacar um target e segmentar o mercado. E a maioria dos peixes até cheira mal; mas, infelizmente, a política é, aparentemente, a única actividade em que o vendedor pode ser um aldrabão sem que haja uma ASAE a actuar.

Finalmente, nenhum político culpará os próprios portugueses da crise. Não interessa ostracizar quem lhes dá de comer – ou, no caso, quem os conduz (ou reconduz) ao poder. Nenhum português saberá que a resposta à crise vem, antes de tudo, do seu trabalho, do seu esforço e do seu labor. Nenhum português suspeitará de que a escassa produtividade, o fraco crescimento e a inércia económica são problemas que se solucionam com mais trabalho e não com mais política.

O engodo é auto induzido e convenientemente repetido pela classe política. É um paradoxo engraçado que a classe seja vista como panaceia para todos os males quando é precisamente ela que os ajuda a propagar. E é trágico que o empobrecimento dos portugueses seja uma das condições para a sua subsistência.

Ensandeceu

Louçã acusa ministro da Economia de “embuste” ao anunciar descida de preços. No Público.

Louçã distribuiu uma folha com os preços comparados, entre 30 de Junho e o dia de hoje, após a baixa no IVA, listando uma série de produtos de higiene e alimentares. No caso do9 hipermercado Continente, que o ministro visitou, Francisco Louçã anotou que houve um dentífrico que aumentou de preço.