Março 25, 2008 às 3:20 am (EUA, Economia, Patranhas)
A coluna de opinião de Miguel Sousa Tavares no Expresso desta semana é especialmente interessante. As ideias principais são, basicamente, três. Quase tantas como os disparates. Com tanta coisa por onde pegar, o difícil mesmo é encontrar uma ponta pela qual começar. Sigo, assim, a ordem de ideias do colunista.
Sousa Tavares começa por acusar o antigo presidente da Reserva Federal, Alan Greenspan, de ser responsável pela bolha no mercado imobiliário e de ter deixado George Bush desbaratar os excedentes orçamentais herdados dos anos de Bill Clinton. Com tanto brilhantismo junto, só não sei como é que os EUA não vêm buscar o Sousa Tavares para liderer a Fed. De certeza que não havia mais bolhas especulativas.
Quanto à segunda parte da ideia, é difícil ver como é que Greenspan – que até esteve contra o corte de impostos em 2001 e queria privatizar a Segurança Social – pode ter alguma culpa na exercução orçamental dos EUA. Mas presumo que o Sócrates gostasse muito desta concepção de responsabilidade. Se o objectivo de 3% por o défice não fosse cumprido, olhava para o lado e apontava para o Constâncio.
As ideias seguintes são ainda mais herméticas. Sousa Tavares diz que a implosão do dólar faz concorrência desleal à Europa, por facilitar as exportações americanas, o que o leva até a dizer que «os EUA provocaram a crise e agora somos nós que a temos de pagar». Se fosse assim tão simples, bastava desvalorizar o euro para a concorrência voltar a ser leal.
Mas é óbvio que as coisas não funcionam assim. O défice externo dos EUA já é coisa antiga. Se o dólar não desvalorizou mais cedo, isso só revela que houve quem acreditasse na economia americana ao ponto de decidir manter os investimentos em dólares. Os americanos endividaram-se com a complacência do resto do mundo, que embarcou na festa. A desvalorização é uma correcção. O que os exportadores europeus vão perder agora é o que ganharam insustentavelmente nos últimos anos.
Por último, a ideia de que a correcção do dólar vai afectar especialmente os países mais pobres, como a China e Índia, cujo «esforço titânico para arrancar da miséria biliões de pessoas vai agora esbarrar com o preço do barril de petróleo, na proporção em que o dólar vai descendo e devido a essa descida». Bom, mas isto até é positivo. O aumento do preço do petróleo por via da desvalorização do dólar não é um grande problema porque a China e a Índia têm moedas próprias. Por outro lado, a crise americana faz baixar as exigências de combustíveis, afrouxando a pressão sobre a procura desta matéria-prima e diminuindo os preços.
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Março 23, 2008 às 2:08 am (Blogosfera, Economia, Pessoais, Recomendado)
Li há uns tempos Ganhar em Bolsa, de Fernando Braga de Matos. Depois de uma incursão pelos meandros das Análises Técnica e Fundamental, julgava-me preparado para arriscar os primeiros investimentos. Entretanto, conheci a Kika:
A sua carteira, de 29/02 a 14/03, desvalorizou 1,96% (de 995,04 para 975,54 euros), enquanto o fundo BPI Portugal desvalorizou 5,02% (de 16,75771 para 15,93828 euros); em termos anualizados, a Kika teria uma performance de -40,31% e o Fundo BPI Portugal de -73,86%.
De salientar que a Kika é a gata do Miguel Madeira, e que a escolha de títulos foi feita com a ponderação de uma pata em cima de um jornal.
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Março 18, 2008 às 2:41 am (Ensino, Portugal)
O Sol dá espaço a mais uma grande iniciativa do Engenheiro Sócrates. Um investimento sem precedentes no plano tecnológico de educação. Os resultados podem ser uma porcaria, mas ao menos os anúncios são épicos.
Segundo Sócrates, já no próximo ano lectivo, as escolas terão um aumento da velocidade da Internet em banda larga de 40 para 100 megabytes, as salas estarão equipadas com quadros electrónicos interactivos e, a prazo, o objectivo é ter um computador por cada dois alunos.
Os objectivos estão traçados. Banda Larga de 100 megabytes já. Salas com quadros electrónicos interactivos amanhã. Um computador por cada dois alunos até ao final da legislatura (assim visto à distância, parece-me que a época eleitoral é uma boa data). E ensinar os miúdos a ler logo que seja possível.
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Março 17, 2008 às 1:47 am (Criminalidade, Economia, Liberdade de Escolha, Saúde)
Segundo o Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, há cerca de 25 milhões de toxicodependentes no mundo. O número é grande e parece credível. O problema talvez seja fictício.
A toxicodependência costuma vir com dois problemas associados: finanças em mau estado e, em casos mais problemáticos, a criminalidade. Um problema decorre do outro. E são os dois sobretudo económicos. Se o problema é económico, uma boa ideia pode ser começar a atacá-lo pela economia. Deixem a polícia de lado. O segredo está na subtileza.
Actualmente, a produção e distribuição de drogas é proibida em muitas zonas e quem arriscar corre o risco de acabar na cadeia. É natural que o preço de venda seja também um reflexo do prémio de risco associado a uma actividade arriscada. Se houver um mercado livre e legal de drogas, este prémio tende a diminuir, repercutindo-se esta diminuição no preço final do consumidor.
E não só. Um mercado liberalizado também facilita a entrada em jogo de vários players. O resto é Adam Smith: a concorrência aumenta, as margens de lucro são esmagadas e, mais uma vez, o consumidor sai a ganhar. Os vícios continuam lá mas financiá-los deixa de obrigar a um esforço orçamental tão grande. E já nem é preciso recorrer ao crime.
Há ainda uma vantagem adicional nesta proposta. Mercados negros obrigam os consumidores a recorrer aos contactos pouco recomendáveis de traficantes de vão de escada ou, em maior escala, de redes de narcotráfico. Mas um mercado livre fornece opções ao consumidor. Num mercado livre conta mais a credibilidade e a qualidade do serviço e do produto do que a capacidade de coacção, as ligaçoes mafiosas ou a ameaça de violência. A liberalizaçao das drogas não é apenas uma ideia para ajudar o orçamento familiar; também serve para desincentivar a violência.
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Março 16, 2008 às 12:36 am (Economia, Liberdade de Escolha, Recomendado, Subsidiodependência)
Os agricultores europeus estão a render-se à liberalização do sector. A ler tudo, na Newsweek.
Thanks to a new crop of muckraking European NGOs, more and more EU voters are also starting to see through the shroud of myth surrounding agricultural aid. Transparency groups like UK-based Farmsubsidy.org have dug up lists of subsidy recipients, showing that the biggest profiteers are actually corporate and aristocratic landowners such as Nestlé, Unilever, and the queen of England (…) A fresh wave of outrage will likely come in 2009, when transparency holdouts Germany and France will be forced to finally publish their lists, thanks to a new directive from Brussels.
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Março 13, 2008 às 12:28 am (Portugal, Segurança Social)
Outra de antologia, no Sol.
A trabalhar há 17 anos na Câmara Municipal de Loures, Ana Maria Custódio, vê os seus planos de vida levarem uma reviravolta com o aumento da idade da reforma proposto pelo Executivo de Sócrates. «Estou próxima da idade da reforma e com esta política terei de trabalhar muitos mais anos. Tinha a minha vida programada de outra forma. Esta gente só nos mente», disse ao SOL.
Não faço ideia da idade da senhora. Pela fotografia, deve andar pelos 50. Não se trata mal, não senhor. Mas reparem na exigência. Está chateada porque vai ter de trabalhar muito mais anos. E assim vai ter de programar a vida de outra forma. Que chatice, não é? Era muito mais fácil pôr a juventude a pagar os 30 ou 40 anos de ócio reforma deste pobre ser que se está a lixar para quem lhe paga a segurança social está praticamente prestes a perder a força nos braços e a cair para o lado de trabalho.
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Março 13, 2008 às 12:13 am (Ensino, Política Nacional, Portugal)
Vejam, vejam.
O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, defendeu hoje um modelo de avaliação dos professores cujo controlo “seja desestatizado e desgovernamentalizado através de agências externas seleccionadas por concurso público”. Para o líder social-democrata, o sistema deve ser, ao mesmo tempo, controlado pelos professores.
Li isto uma vez. Não percebi. Li duas, três, quatro vezes. Continuei a não perceber. Isto não faz sentido. Uma agência externa desgovernamentalizada? E controlada pelos professores? Então é externa a quê? Ao Estado? Este gajo não existe.
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Março 11, 2008 às 10:44 pm (Blogosfera, Desporto, Humor, Pessoais)
O Phillipe abandonou Manchester há menos de um mês mas, ao que parece, manteve alguns dos vícios. Depois das drogas duras, entregou-se à bebida. Não se preocupem: aquilo passa-lhe.
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