Pôr o nome às coisas

Rashid, o amigo lesma (definitivamente), Joel, o amigo sôfrego (não passava uma), Borras, o amigo cego (à 38ª tentativa lá facturou), e Zé, o amigo preliminares (meia hora com brincadeira mas quando é para a meter lá dentro, chapéu).

Horas após o encontro, em troca de sms’s, o adversário disse-me que ainda nos faltava consistência na transição defesa-ataque, capacidade de cobertura em jogadas pelas linhas e alguma eficácia ofensiva. Ter um guarda-redes de jeito também teria ajudado, acrescentou. E apeteceu-me dizer: agradeço as indicações, mas se a ideia era sairmo-nos melhor se calhar bastava terem-nos deixado meter uns golinhos.

Para a História (com H grande) fica o resultado: 14-3. Exibição briosa fantástica do autor destas linhas.

29/01/08

28/01/08

27/01/08

As coisas que eles inventam…

No DN de ontem, Anselmo Borges volta à carga, desta vez com a aposta de Pascal. Algo deste género:

Aqui precisamente, aparece a aposta de Pascal. Lá está o texto célebre dos Pensamentos: “Examinemos este ponto, e digamos: ‘Deus existe ou não existe.’ Para que lado nos inclinaremos? A razão não o pode determinar. Mas é preciso apostar. Não é coisa que dependa da vontade. Já estais embarcados. Que escolha fareis? A vossa razão não será mais lesada por escolherdes uma coisa de preferência à outra, pois é necessariamente forçoso escolher. Eis um ponto assente. Mas a vossa felicidade eterna? Ponderemos o ganho e a perda, escolhendo Deus. Ponderemos estes dois casos: se ganhardes, ganhareis tudo; se perderdes, não perdereis nada, Apostai, pois, que Deus existe, sem hesitardes.” Em termos simples, quase banais.

Simples e quase banais não seriam os adjectivos que usaria para qualificar os termos em que Pascal expõe a sua proposta. Eu iria mais pelo simplista e pelo pateta, mas ok. De qualquer das maneiras, a aposta tem dois problemas.

Em primeiro lugar, propõe a instrumentalização da religião. Os axiomas são simples e a conclusão inabalável: deus é todo poderoso; deus gosta de ser adorado e recompensa quem o adora; logo, adorar deus dá um bilhete directo para uma vida celeste das boas. Não falha.

Não falha mas transforma o crente num especulador. Adora-se não porque isso seja um dever ou alguma coisa correcta mas porque é um bom investimento a longo prazo. O crente torna-se um gestor de risco. Convenhamos que não é das formas mais nobres de adorar o altíssimo. E, caso ele descubra o engodo, a brincadeira até pode sair cara. Nisto de deuses, convém manter bem presente que além de omnipotentes também são omniscientes.

Para além disto, a aposta é ingénua. E até pode virar-se contra o apostador. Pascal propõe um quadro convenientemente limitado. Temos um deus e duas possibilidades: acreditar ou não. Eu proponho que sejamos mais abrangentes. Vamos antes considerar vários deuses em concorrência: o dos cristãos, o dos judeus, o dos muçulmanos, os dos nórdicos, os dos gregos, os dos romanos, e por aí fora.

A coisa fica mais complicada porque agora quem errar arrisca-se a ter de apanhar com um gang de deuses irados e furiosos por não terem ficado em primeiro na casa de apostas. Além da primeira opção acreditar/não acreditar, há que fazer uma segunda opção: acreditar em quem? Um analista da bolsa aconselharia um portfolio de deuses cuidadosamente escolhido, de forma a distribuir o risco. Mas como a maioria dos deuses só funciona em regime de exclusividade, o melhor talvez seja não apostar em nenhum. Não se ganha o céu, mas também não se arrisca o inferno.

Criar crianças

João Miranda, no DN de hoje.

Os defensores da lei do tabaco vêem os trabalhadores como marionetas das circunstâncias, seres sem controlo das próprias vidas, incapazes de fazer escolhas e de assumir as responsabilidades pelos seus erros. De acordo com esta visão, os trabalhadores são inimputáveis, eternamente sob tutela do Estado. Mas se forem tratadas como inimputáveis, se não forem responsabilizados, não terão cuidado com as suas escolhas e agirão irresponsavelmente como inimputáveis. As leis que visam proteger as pessoas das suas próprias escolhas tenderão a gerar sociedades de inimputáveis tuteladas por paternalistas.

26/01/08

25/01/08

Virgem. Mas mãe. Mas virgem

Vi agora que algum desgraçado chegou ao meu blogue depois de ter metido no Google ‘inconsistencias do novo testamento’. É uma perda de tempo gastar tempo de rede para encontrar inconsistências no Novo Testamento. Basta abrir um bocadinho os olhos. Se se procurar bem, até se encontra coisas muito mais engraçadas do que apenas ‘inconsistências’.

25/01/08

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