Isto é uma pérola. No site do Público há uma página consagrada à apresentação do livro de estilo do jornal (uma espécie de manual do jornalista). Pois bem, no sétimo parágrafo lê-se: «Com a publicação deste livro encerrase um processo iniciado em Setembro passado, quando o jornalista António Granado foi incumbido de coordenar a revisão do único livro de estilo da comunicação social portuguesa publicado». Caso para dizer: abresse um precedente grave.
Escolhas racionais
Setembro 28, 2007 às 11:20 pm (Blogosfera, Economia, Ensino, Recomendado)
Dos Bons Investimentos, no Blasfémias.
Deve-se ter em conta que a praxe é um negócio com uma taxa de rentabilidade elevada. A humilhação que o caloiro sofre no primeiro ano é um pequeno investimento quando comparado com o ganho potencial. Por ter sido humilhado um ano, o estudante fica com o direito de humilhar outros durante o resto da sua vida universitária. Digamos, num curso de 5 anos ele recebe 4 vezes o valor que pagou. Mas se o curso se prolongar por 10 anos ele pode receber 9 vezes o que pagou. Há poucos negócios com uma rentabilidade tão boa.
Naturalmente que a simplificação é excessiva: o direito a praxar só começa no terceiro ano, o que diminui a rentabilidade, entre outras coisas. Mas o essencial é isto.
Louvado seja!
Setembro 28, 2007 às 12:44 am (Deus & Religião, Pessoais)
Tenho estado a discutir ateísmo (bom, mais ou menos, qualquer coisa desse género) no Que Treta. Mas mais valia ter estado calado. Segundo a Wikipédia, «na derradeira perseguição da Santa Igreja Romana estará sentado (no sólio de Pedro) Pedro Romano, que apascentará as suas ovelhas em meio a múltiplas tribulações: as quais transcorridas, a cidade das sete colinas será destruída, e um Juiz poderoso julgará o povo». Pedro Romano, refira-se, é nada mais nada menos do que o próprio sucessor de Ratzinger (leiam a última frase, mesmo no fundo da página).
Por isso, meus caros, toca a abrir a bolsa durante o ofertório. Se acharem que dá maçada, também me podem enviar o pagamento directamente. Aceito em numerário e em cheque (desde que tenha cobertura). Vá lá, não custa nada, é para a obra do Senhor…
Só uma coisinha
Setembro 27, 2007 às 12:55 am (Economia)
Ok, o petróleo chegou aos 80 dólares por barril. Acontece que o dólar também tem vindo a desvalorizar. Os 80 dólares por barril não são um problema de petróleo, são um problema do dólar. E quem paga em euros nem sente a diferença.
O preço de um bunker
Setembro 22, 2007 às 12:39 am (Blogosfera, Deus & Religião, Filosofia & Ciência)
Há uma forma muito fácil de ganhar discussões: andar às arrecuas nos fundamentos dos argumentos contrários até se chegar ao básico do básico e, aí, afirmar a indemonstrabilidade dos pressupostos mais fundamentais. Não há maneira de falhar. Os pós-modernos já lhe tomaram o gosto, com a ideia de que tudo é relativo, mas o alcance do argumento (ou contra-argumento?) permite o uso noutros campos, como o da teologia.
Para defender a ideia de Deus, por exemplo, este argumento é um doce. Provar Deus é difícil: não há registos fósseis ou observações indirectas, e ele também não tem por hábito aparecer ao pessoal. Verdade seja dita: se não o procuramos o suficiente, ele também não faz muito pela vida. Não é fácil provar a sua existência; mas há uma forma quase tão boa de o defender: mostrar que a alternativa à existência de Deus é pelo menos tão implausível como a sua própria existência. Não ajuda muito à causa, é verdade; mas sempre dá para arrasar o lado contrário. Como o menino que estraga o castelo de areia antes de sair da praia: se eu não puder brincar, então ninguém vai poder.
Foi o que me aconteceu ainda recentemente, numa discussão ‘blogosférica’ acerca da oposição entre razão e fé (eu defendia a dicotomia, o meu interlocutor defendia a complementaridade). Não saí convencido; e a ideia com que fiquei é que o argumento da indemonstrabilidade das bases sobre as quais assentam a ciência e a razão é um perfeito bunker: tão inexpugnável que não permite qualquer ataque. Como os argumentos assentam sempre sobre presmissas indemonstráveis (até sobre a justificação do uso do pensamento racional, no limite), todos as conclusões são válidas. Está tudo correcto, só varia a perspectiva. Deus existe? Depende da perspectiva. E o Pai Natal? Também. É uma questão de fé…
Mas quem se quer proteger com segurança absoluta tem de fazer concessões absolutas, e este bunker tem um preço. No caso, o preço da imunidade absoluta é a absoluta incapacidade de se justificar as próprias crenças. O relativismo completo fecha as portas à discussão; uma vez dita alguma coisa, e assumida a impossibilidade da sua refutação, assume-se também a impossibilidade de conversão. O crente destrói a razão que permite ao ateu atacar o seu Deus, mas ao fazê-lo abdica também das armas com as quais poderia convertê-lo. É um ataque kamikaze.
Nesta lógica, não há razão. Só fé. Fé e premissas divergentes, irredutíveis e indemonstráveis. Anything goes, como diz Raymond Boudon. O preço de barricarmos a ideia de Deus é a obrigação de vivermos num mundo com duendes e gambozinos. Um preço elevado, convenhamos.
Curva de Phillips?
Setembro 21, 2007 às 11:16 pm (Economia, África)
No Zimbabué de Mugabe, a inflação está nos 10.000%. E ao mesmo tempo o desemprego ultrapassou os 80%.
Direitos adquiridos
Setembro 20, 2007 às 11:53 pm (Corporativismo, Ensino, Portugal)
Não sei se repararam mas no vídeo do post anterior há lá um momento em que uma professora (?) diz: «Eu não quero que faça pergunta nenhuma nem tem o direito de fazer pergunta nenhuma».
Acho que já entendi o conceito de ‘direitos adquiridos’ que alguns professores têm: são os direitos adquiridos de não verem as suas capacidades escrutinadas. Com professores destes, como é possível ter bons alunos?
Esta é boa
Setembro 20, 2007 às 11:38 pm (Blogosfera, Ensino, Humor, Portugal, Recomendado)
Muito bom. Alguém quer comentar isto?
Já agora: qual é a raiz quadrada de nove?
Blogue do dia
Setembro 20, 2007 às 10:51 am (Blogosfera, EUA, Política Internacional)
Um blogue a seguir nos próximos tempos: Eleições Americanas 2008, de Nuno Gouveia.
Chinatown
Setembro 16, 2007 às 12:08 am (Economia, Portugal, Recomendado, Urbanismo)
Maria José Nogueira Pinto propôs, foi criticada e defendeu-se. Agora, foi outra vez criticada – pelo João Miranda, no DN.
As pessoas com poder de compra que querem produtos de qualidade vão aos centros comerciais. As pessoas com baixo poder de compra vão às lojas chinesas. A eliminação das lojas chinesas não levará as pessoas com elevado poder de compra à Baixa. Essas pessoas preferem os centros comerciais. Mas afastará da Baixa todos aqueles que lá vão por causa das lojas chinesas. Nogueira Pinto tem de enfrentar a dura realidade. Não são as lojas chinesas que causam a decadência da Baixa. As lojas chinesas estão a retardar a decadência da Baixa. Ao contrário do que diz Nogueira Pinto, as lojas chinesas não estão a acabar com o comércio na cidade. Elas são uma parte importante do comércio na cidade.