Os liberais defendem que o Ensino deve ser privado?
Sim, alguns defendem isso.
E que o Estado não deve regulamentar o Ensino, como se tudo fosse permitido?
Sim, alguns também defendem isso.
Isso quer dizer que não se importam com a qualidade do Ensino?
Não; quer dizer que acham que os mercados são melhores que o Estado a garantir a qualidade do Ensino.
Como?
É um pouco mais complexo do que isto, mas a ideia base é a de que as pessoas não são estúpidas – ou, pelo menos, que conseguem aprender com os erros. Num mercado livre, haverá inúmeras Universidades: algumas católicas, outras protestantes, outras agnósticas; algumas terão um ensino apoiado na memorização, outras na compreensão, outras num misto destes dois sistemas; existirão Universidades com professores autoritários e existirão Universidades com professores brandos. Ou seja: diversidade. Depois, cada pessoa frequentará a Universidade que lhe parece ser a melhor; e as Universidades que conseguirem capacitar melhor os seus estudantes para o mercado de trabalho (é o mercado a avaliar a formação das pessoas, através das qualidades que estas revelam) serão as mais apetecíveis. No final, o mercado selecciona o melhor Ensino.
E por que não ser o Estado a fazer essa selecção? Poupam-se os erros de percurso.
Por duas razões. A primeira é que o Estado não é omnisciente: não sabe quais são as melhores Universidades, quais as teorias científicas a seguir, quais os professores a contratar, quais as metodologias a adoptar. A segunda é que a qualidade é relativa: alguns conhecimentos não servirão para determinadas áreas mas aplicados noutro campo serão bastante proveitosos.
O que é que acontece neste momento?
Neste momento, o Estado determina os programas das Universidades, obriga-as a ter ter determinados requisitos (metodologias de ensino, tipos de avaliação, etc.) e só deixa ensinar quem tem determinadas classificações.
E se os programas que o Estado aprova não forem bons para dar formação numa área emergente que requer novas metodologias e novas formas de Ensino?
Azar.
E se os professores que o Estado credita para dar aulas não tiverem qualidade?
Paciência.
E se as teorias científicas cuja aprendizagem o Estado exige se revelarem erradas?
O Estado lamenta muito – quando descobrir o erro (se o descobrir).
E se houver alunos que, por serem geniais ou atrasados, precisam de planos curriculares especiais?
Pior para eles. O Estado só tem um plano curricular.
E por que razão o mercado daria conta de todas estas necessidades e um Estado não?
Porque um Estado trabalha com médias. Se os alunos, em média, precisam de 20 horas semanais de aulas para terem rendimento, o Estado fará programas com essas 20 horas semanais. Não interessa que um terço dos alunos apenas precise de 10 horas e que o outro terço necessite de 30 horas.
E se for o mercado a dar conta dessa situação?
Haverá Universidades com programas para 30, 20 e 10 horas. Ou, alternativamente, haverá Universidades com vários planos. Onde houver necessidades haverá procura de serviços; onde houver procura de serviços haverá possibilidades de lucro; e onde houver possibilidades de lucro o mercado fornecerá os serviços/bens correspondentes.
Então isso quer dizer que o Estado não consegue aceder à informação necessária para saber quais os melhores professores, quais os melhores planos de estudos e quais as melhores metodologias de ensino para cada aluno?
Precisamente.
Alguma prova disso?
Sim: o facto de termos milhares de licenciados no desemprego. O Estado diz que os cursos são bons e que dão qualificações para o mercado de trabalho; o empregador não concorda.
Ok, um último teste. O que acontece num mercado livre se uma Universidade criar uma licenciatura em Medicina sem qualidade?
A Universidade lixa-se.
E se for o Estado a criar essa licenciatura e propagá-la através de todas as suas Universidades?
Lixamo-nos todos.